sexta-feira, 26 de março de 2010

ATACAMA: OPÇÃO IMPROVÁVEL MAS IMPERDÍVEL

Nossa viagem foi assim:

Época: julho *****

Hotel: Kimal ****

Faixa etária das crianças: 5-7 anos ****



Estávamos procurando viagens para outros locais da Argentina ou Chile, e o agente de viagens sugeriu o Atacama. "Atacama??" perguntamos incrédulos. Ele garantiu que era um local sensacional, e que dava para ir com crianças. E lá fomos nós.

Cidade de San Pedro (foto: Sung Lim)
A cidade de San Pedro fica a 1 hora de van do aeroporto mais próximo. A região toda fica no meio do deserto mais árido do mundo, e a cidade é bem rústica, com ruas de areia e casas de adobe. Somente uma parte da cidade tem iluminação pública, portanto cuidado com a localização do seu hotel, ou você precisará de uma lanterna para andar na cidade!

O centro, apesar de rústico, é charmoso, cheio de lojinhas, restaurantes (não são lá nenhuma experiência gourmet), agências de turismo e mochileiros. San Pedro já foi chamada de Jericoacoara do deserto - dá uma boa idéia do que você vai encontrar. O único senão é que a cidade está a mais de 2000m de altitude, o que pode causar dores de cabeça e falta de ar nos primeiros dias.

Visibilidade sensacional.
(foto: Sung Lim)
As paisagens são absolutamente estonteantes. Podemos dizer que é o lugar mais bonito que já visitamos. O ar seco garante uma visibilidade excepcional, que chega aos 100 km fácil. Ou seja, de uma montanha qualquer, você consegue enxergar a paisagem a mais de 100 km de distância. E lá tudo é beeem amplo, espaços vazios, montanhas imponentes, vales suaves.

Os passeios que fizemos:

Valle de la Luna (foto: Sung Lim)
1. Valle de la Luna: o passeio mais próximo de San Pedro, visitando as formações rochosas e as dunas do deserto. Oportunidade de caminhar entre paisagens estranhas e belas, de subir em enormes dunas de areia e tirar fotos espetaculares.

2. Ruínas indígenas: há ruínas no meio do deserto e uma cidade que, dizem, tem a mesma configuração de Macchu Picchu. O norte do Chile tem muito em comum com o Peru e a Bolívia, tendo sido habitados pelas mesmas civilizações. Muito curioso e é uma oportunidade para as crianças terem contato com a cultura pré-colombiana.

Lagoas altiplânicas (foto: Sung Lim)
3. Laguna Menique e Miscante: duas lagoas maravilhosas aninhadas no topo das montanhas nevadas (neve somente em alguns invernos). No ano que fomos estava tão frio que uma das lagoas ficou congelada, e a passagem para a outra estava bloqueada pela neve. Cuidado com a altitude (mais de 4000 m).

Flamingos no salar.
(foto: Sung Lim)
4. Salar de Atacama: com certeza o passeio favorito das crianças. Um salar extenso, com formações curiosas, parecendo uma paisagem de outro planeta. No meio de tudo, pequenas lagoas salgadas que abrigam bandos de flamingos. Daria pra ficar horas observando essas lindas aves em seu habitat natural.

Geisers (foto: Sung Lim)
5. Geisers del Tatio: é um passeio cansativo mas inesquecível. A saída da van é por volta das 5 da manhã; o percurso, sinuoso e acidentado, dura quase 2 horas; a altitude atingida é próxima dos 4500 m. Por tudo isso, a probabilidade de alguém na família passar um pouco mal é grande. Uma criança pode sentir-se tão mal que não consegue levantar do ônibus para ir caminhar nos geisers, enquanto outra nem tomará conhecimento da altitude. É relativo e você só descobrirá tentando. O local é inesquecível, com vapores sulfurosos e jatos de água quente jorrando do chão, formações rochosas curiosas e coloridas, originadas pelas águas. Lá em cima faz muito frio (estava -15ºC no dia que fomos), mas os guias levam um café da manhã bem quentinho e revigorante para você tomar olhando os geiseres. Na volta, já dia claro, podem-se avistar vários animais como vicunhas e patos selvagens.

Nosso hotel ficava muito bem localizado, a apenas 2 quadras do centrinho. O serviço era muito atencioso, as camas maravilhosamente macias. O mais legal para as crianças é que as paredes são de adobe, portanto passamos uma semana dormindo em uma casa de barro!

Para os viajantes mais independentes, que preferirem fazer os passeios em carro alugado, nossa leitora Odette postou algumas dicas muito interessantes nos comentários, que optamos por reproduzir aqui também. A Odette tem uma família de 5 pessoas, e geralmente nesse caso tudo sai mais barato se for de carro alugado. O Chile é um daqueles lugares em que dirigir é muito seguro e gostoso, então vale a pena avaliar essa opção! Veja as dicas dela:

"Retiramos o carro no aeroporto de Calama. O melhor carro para alugar é uma 4x4, com caçamba. Nós alugamos uma Hilux de cabine dupla. Lembrem-se, NUNCA chove no deserto e as crianças ficam loucas de passear na caçamba, se acham uns aventureiros! Lá, como na Disney, você pode fazer reserva em várias locadoras e escolher a que mais te agrada na hora.

Levamos um GPS da Garmin, com um pseudo-mapa super atualizado do deserto. O GPS não serviu para nada. A estrada que liga o aeroporto à San Pedro é uma reta que acaba na cidade, não há como errar. Para nos localizarmos, usamos o bom senso, as placas da região e as indicações do Sr. Jesus, da Lickan Antay, um guia super gentil.

Não tem mistério em se locomover em San Pedro e arredores. Os pontos turísticos são sinalizados e as pessoas, caso você se perca, têm boa vontade em te ajudar. Só o deserto de Tara que é impossível ir sem guia. Trata-se de um desertão sem uma única indicação e cada grupo pega a sua rota, logo, não há uma única forma de se chegar lá."

Comentários do FR: realmente, do aeroporto até San Pedro é uma reta só. Chegamos a Calama já à noite, portanto estava escuro como breu. A estrada tem sinalização e está em excelentes condições, mas não há um único poste de luz o caminho todo. Se for alugar carro, tente chegar a Calama ainda de dia.

Não chegamos a ir ao salar de Tara, pois ficamos somente 5 dias em San Pedro. Para as pessoas muito urbanas, mais de 5 dias é muito tempo, pois apesar de todo o charme, a cidade é muito pacata e não tem nem asfalto. Para os que curtem natureza, recomendamos ficar uma semana inteira no Atacama, assim poderá visitar o deserto de Tara e as lagoas altiplânicas da Bolívia também.

Caminhada no deserto.
(foto: Sung Lim)
Nosso amigo Sung, que gentilmente cedeu as fotos que você vê nessa postagem, esteve no Atacama em dezembro de 2011 num esquema um pouco diferente. Fez uma viagem mais aventureira, com um grupo, em que visitaram alguns lugares maravilhosos e - a maior diferença de todas - em alguns deles fizeram caminhadas ao invés de chegar de carro. Segundo ele, havia até mesmo crianças maiores e senhores de idade do grupo, portanto basta ter disposição e espírito aventureiro para encarar. Além disso, o contato que se tem com a natureza grandiosa do Atacama é, sem dúvida, muito mais íntimo e marcante quando se vai a pé!

Se você também tiver dicas para postar, não se acanhe! Faça como a Odette e o Sung e colabore com o FR.

Se quiser ver mais fotos do Sung, clique aqui.
Site interessante: http://www.sanpedroatacama.com/.




terça-feira, 23 de março de 2010

TODOS QUEREM BARILOCHE!

Nossa viagem foi assim:

Época: julho *****
Hotel: Panamericano ***
Faixa etária das crianças: 1 a 3 anos *****

Panorâmica do Cerro Catedral (imagem gratuita de http://www.inglaner.com/)

Esse ano, várias famílias de amigos já vieram nos perguntar sobre Bariloche, por isso resolvemos fazer um resumo das nossas impressões. Já faz um tempo que estivemos lá, portanto alguma coisa pode ter mudado. Procure mais informações antes de decidir sua viagem.

Qual é a melhor época?
Bariloche é um dos melhores lugares para uma família fazer sua primeira viagem. Na temporada há voos diretos do Brasil - fretados - que duram apenas 4 horas, o turismo lá é bem estruturado e relativamente organizado (tem que dar um desconto porque é Argentina...), e tem muitos tipos de programas diferentes, para todos os gostos. Fora da temporada, é preciso fazer conexão em Buenos Aires, e dependendo do caso vale até a pena passar uns 2 dias na capital.

Gostamos tanto de Bariloche que já estivemos lá no verão (sem crianças) e no inverno (com e sem crianças). As duas épocas são ótimas: no verão as paisagens são mais intensas e bonitas do que no inverno e o tempo, ameno. É possível fazer quase todos os passeios do inverno - exceto esqui e esqui-bunda - só que com sol e temperaturas agradáveis. Além disso, o passeio até o Cerro Tronador, a montanha mais alta e impressionante da região, normalmente só é possível no verão, pois nos meses frios as estradas ficam intransitáveis. Mas atenção: mesmo no verão não deixe de levar agasalhos para a manhã e o fim do dia, pois quando o sol se põe o frio avança com tudo. Durante o dia, atividades de aventura como rafting, caminhadas e escaladas também podem ser contratadas, mas se você preferir uma viagem mais "contemplativa", com passeios de barco, de ônibus e teleféricos, também tem.

Muita neve: sucesso
entre as crianças
No inverno, por outro lado, tem a neve, que é um sucesso garantido entre as crianças. Se você fizer questão da neve, fique sabendo que no verão não tem. Na cidade a neve é um evento muito raro, mas na maioria dos passeios que sobem as montanhas - Cerro Campanario, Cerro Catedral, Cerro Bayo, Piedras Blancas - você encontrará neve em abundância para brincar com as crianças. O único cuidado no inverno é comprar roupas adequadas. As roupas de aluguel nas lojas são caras e ruins, portanto a melhor opção é comprar mesmo (veja em  http://familiarecomenda.blogspot.com/p/planejando-viagem-com-criancas.html mais dicas sobre roupas de frio).

De pacote ou por conta própria?
Até roupas de neve a CVC
nos emprestou
A melhor forma de comprar uma viagem para Bariloche, em nossa opinião, é através dos pacotes das operadoras. Normalmente é a única maneira de obter um voo direto, pois se você comprar a passagem fora dos fretamentos terá que parar em Buenos Aires. Além disso, os hotéis reservam uma grande quantidade de seus quartos para esses pacotes, de modo que, especialmente em julho, é difícil conseguir reserva independente de um pacote (mas não impossível). Por último, se você está viajando com crianças, principalmente pequenas, indo de pacote você já receberá várias opções de passeios (que, com exceção do Circuito Chico, normalmente são pagos à parte), que você poderá reservar na hora que chega na cidade, e ter programação fácil, variada e muito interessante para toda sua estadia. E, não menos importante, normalmente para Bariloche o custo sai bem mais baixo, e a logística muito mais fácil, do que fazendo tudo por conta própria.

É claro que haverá a desvantagem de ter que andar num ônibus lotado de turistas, sujeitar-se ao atraso das outras pessoas, ficar preso a um roteiro pré-definido, etc, etc. Mas nesse caso achamos que vale a pena, pois de qualquer maneira a maioria de nós só pode ir a Bariloche em julho, que é por si só uma época cheia, então será difícil você ficar isolado dos outros turistas mesmo que vá sozinho.

Convenhamos, Bariloche não é Torres del Paine, ou seja, é uma cidade voltada para o turismo de massa - o qual faz muito bem, diga-se de passagem. Nossa viagem, há alguns anos, foi de CVC e achamos muito organizado e eficiente - até roupas para a neve eles emprestam, para aqueles que não têm. Também já usamos outras operadoras para ir a Bariloche, e todas funcionaram muito bem. Portanto, se escolher uma operadora grande e de boa reputação, você estará em boas mãos.

Onde se hospedar?
Na hora de escolher seu hotel, o centro de Bariloche tem muitas opções de hospedagem a preços acessíveis, mas que nem por isso deixam de ser charmosas e aconchegantes. De qualquer jeito, você passará tão pouco tempo no seu quarto, que o hotel pode até nem fazer tanta diferença. Qualquer que seja sua escolha, se quiser ficar perto de tudo, escolha um hotel na Mitre ou na San Martin/Moreno, e em suas travessas, pois são as ruas mais centrais. De lá, você está a passos dos melhores restaurantes, lojas e chocolaterias.

Llao Llao: luxo de verdade
Se, por outro lado, o que você quer é se refugiar num local charmoso com vistas de tirar o fôlego, os arredores da cidade estão repletos de hotéis de montanha com todas as comodidades. Você pode optar também pelos hotéis do Cerro Catedral - altamente recomendável se estiver pensando em esquiar. Agora, se seu negócio é luxo de verdade, então você pode optar pelo Llao Llao, o hotel mais caro da cidade, que fica afastado de Bariloche e oferece tudo que você puder imaginar, desde spa até campo de golfe. É um lugar caríssimo, feito para os hóspedes se isolarem, não para se integrarem à cidade, pois fica longe do centro.

O que fazer com as crianças?
Em Bariloche não faltam opções de passeios interessantes, principalmente com crianças. Todos os lugares são lindos, oferecendo vistas diferentes e belíssimas, muitas oportunidades para fotos, e muitas vezes isso tudo vem de "brinde" num programa cheio de diversão. Veja os passeios que fizemos:
Piedras Blancas

1. Piedras blancas  (http://www.piedrasblancasbariloche.com/): hit certeiro para as crianças mais ativas. É uma mini-estação, com teleférico e tudo, só que de trenó, ou seja, esqui-bunda. Fica pertinho do centro e é muito divertido! O ingresso dá direito a cada pessoa subir 6 vezes para descer escorregando lá de cima. A vista é bem legal. Reserve meio período para esse passeio. Aparentemente o taxi para Piedras Blancas é bem caro, e o atendimento lá não é dos melhores, de forma que, de acordo com depoimentos na internet, nem cartão de crédito eles aceitam. Então, esse é um bom lugar para você optar pelo passeio das agências, ao invés de ir por conta própria. Também considere levar um lanche ou alimentar-se antes de ir, pois a lanchonete do local é bem precária.
2. Passeio de barco pelo Nahuel Huapi: existem vários passeios que saem das proximidades de Bariloche e cruzam o famoso lago. Há desde passeios curtos para as ilhas próximas, como Isla Victoria e bosque de Arrayanes (bons para crianças pequenas e espíritos menos aventureiros, com vistas maravilhosas), até saídas de um dia todo, chegando à fronteira com o Chile. Todos os passeios são feitos em barcos bons e serviço organizado. As gaivotas, condicionadas ao constante vaivém de barcos, seguem-nos em busca de alimento; virou costume entre os turistas alimentar as gaivotas com biscoitos, que elas vêm buscar na nossa mão!

Lago Frias
O passeio que fizemos durou o dia todo. Partimos das proximidades do hotel Llao Llao, em direção a Puerto Blest, um pequeno e pitoresco porto num recanto do Nahuel Huapi. No caminho, uma parada para uma caminhada num bosque, vista de uma linda cachoeira semicongelada, e um lago supostamente congelado (o qual não chegamos a ver, pois o tempo não permitiu).

Cachoeira congelada

Desembarcamos em Puerto Blest, onde há um hotel. Almoçamos no restaurante do hotel, para em seguida sair de ônibus em direção ao Lago Frias. Lá, embarcamos de novo e navegamos entre fiordes e montanhas majestosas, cobertas de neblina, até o outro lado, onde fica a fronteira com o Chile. Se você assistir Diários de Motocicleta, preste atenção no passeio de barco que Che Guevara faz com seu amigo por esse mesmo lago. O único cuidado nesses passeios é agasalhar muito bem as crianças, pois trata-se de um longo dia ao ar livre com o vento do barco. Mesmo no verão, leve agasalhos.

Vista do Cerro
Campanario
3. Circuito Chico: é o "city tour" de Bariloche. Como o centro é bem pequeno (dá pra andar a pé de um lado ao outro em meia hora), em Bariloche ao invés de city tour as agências oferecem uma volta pela região. É um passeio muito cênico, com lindas paisagens. Normalmente inclui um passeio de teleférico pelo Cerro Campanário, que oferece uma das vistas mais lindas da região, e uma parada na famosa estação de esqui, Cerro Catedral (http://www.welcomeargentina.com/catedral/index_i.html). Esquiar lá na alta temporada não é recomendável. Normalmente nas partes baixas a neve está empapada, e as filas para subir no teleférico podem tomar até 1:30h. Se você está interessado em esqui e quiser vir a Bariloche, considere a possibilidade de se hospedar no Cerro Catedral. Assim, você pode acordar cedo e subir para a parte alta da montanha antes da chegada das hordas de turistas em excursão.

No Cerro Bayo você fica acima
das nuvens
4. Cerro Bayo: uma estação de esqui linda e isolada, que fica na outra margem do lago Nahuel Huapi. O traslado até lá dura pouco mais de uma hora em uma estrada bem sinuosa. Ao chegar de van, é preciso subir de teleférico para chegar à base da estação, que fica no topo de uma montanha. A vista é impressionante, e tem uma pista bem pequena de trenó. Nessa não há teleférico, a gente tem que subir a pé toda vez que quiser escorregar, mas em compensação é de graça.

Lanchonete precária com a
melhor vista do mundo.
A alimentação é bem precária, há somente uma lanchonete com pouquíssimas opções. Mas a sensação de estar acima das nuvens que cobrem o lago e Bariloche, as pistas vazias e o contato com a natureza que se tem nessa estação são raridades. Vale a pena! Para chegar ao Cerro Bayo, atravessamos a Villa Angostura, uma vila pequenina, charmosa e aconchegante, onde dizem que há algumas boas opções de hospedagem em pequenas pousadas, caso você se canse do agito de Bariloche.

Nahuel Huapi
5. Passear e comprar na cidade: o centro não requer city tour, mas é um ótimo passeio pra se fazer a pé, nos finais de tarde depois de voltar dos passeios. Os restaurantes, lojinhas e as excelentes chocolaterias são encantadores e acolhedores. Fazer compras em Bariloche é um programa imperdível: os preços são muito bons e a cidade é bem simpática. Se quiser deixe para comprar lá seus casacos, luvas e calças para a neve, logo no primeiro dia, pois vale a pena.

Catedral: simpática.
Os restaurantes estão na Mitre e suas transversais, enquanto que as lojinhas de roupas e souvenires ficam predominantemente na própria avenida. Entre essas duas avenidas fica também o centro cívico de Bariloche, e você ainda pode visitar a catedral da cidade, uma igreja bem simpática. Uma caminhada pela avenida da orla, junto ao belíssimo lago, é muito agradável num dia de sol. Todos esses locais ficam bem próximos uns dos outros, e podem ser explorados a pé numa tarde.

Além de restaurantes, lojas, chocolaterias, o lago e a catedral, Bariloche oferece também muitas opções de balada para os adolescentes. O único inconveniente é que a noite na Argentina começa muito tarde - chegar antes da uma da manhã, nem pensar! Mas, em nossa opinião, apesar das boates de Bariloche serem muito animadas, não são diferentes de lugares semelhantes em outras cidades. As atrações que você pode ver de dia, por outro lado, são imperdíveis. Em outras palavras, acreditamos que não vale a pena trocar os dias de passeio pelas noites de balada, a não ser que você seja de ferro e aguente acordar no dia seguinte com pique para passear.

Então, se você estiver interessado num lugar bonito, próximo ao Brasil, com muitas opções de passeios, Bariloche é uma excelente opção!

Texto gentilmente revisado por A.K.Arahata.

LAS VEGAS COM CRIANÇAS???

Nossa viagem foi assim:

Hotel Palazzo *****

Época Janeiro ****
Faixa etária das crianças 7-9 anos ****


É possível - e gostoso - viajar para Las Vegas com crianças. Nós tentamos e não nos arrependemos!

O que tem de bom pra fazer lá?
Ninguém duvida que Las Vegas é o playground dos adultos. Mas tem boas opções pras crianças também. O mais curioso é ir a atrações tipicamente infantis, como o minizoo, e só encontrar adultos, divertindo-se como se fossem crianças...

Obviamente é preciso tomar alguns cuidados no planejamento da viagem, e um dos principais é escolher bem o hotel onde vai se hospedar. Alguns hotéis de Las Vegas atendem mais a jogadores inveterados, como o Bellagio, enquanto outros agradam mais aos jovens que querem "festa", como o MGM e o Hard Rock. Há também os hotéis antigões, tipo o Harrah´s, que não são ambiente adequado para crianças.

Depois de muita pesquisa, chegamos a 3 opções que nos pareceram melhores: o Four Seasons, que fica no mesmo prédio do Mandalay Bay, o Wynn e a dupla Venetian/Palazzo. Descartamos o Four Seasons pela localização e o Wynn pelo custo, ficando com o Palazzo. É um hotel excelente, com serviço cortês, eficiente, instalações lindas e bem cuidadas. Recebemos um upgrade e ficamos hospedados no penúltimo andar, com uma vista sensacional da Strip, da cidade e do deserto ao longe. O quarto era fantástico, coisa de filme: sala com sofá em L, cama superking, banheiro enorme com hidro, penteadeira, toalete separado, uma TV de plasma em cada ambiente, DVD, enfim, todos os luxos que você pode imaginar.

Em qualquer hotel que você se hospedar, fique sócio do clube de jogadores. Suas diárias e seus gastos no hotel, mesmo em máquinas caça-níqueis, garantem pontos que você pode trocar por mais créditos no cassino. Você receberá em seu e-mail promoções exclusivas - quando voltamos do Palazzo, por exemplo, chegamos a receber ofertas de U$89,00 a diária! Pena que não deu para aproveitar! Mas o que você poderá aproveitar, com certeza, são os descontos nos shows e atrações daquele hotel (conseguimos um bom desconto no Blue Man Group e no passeio de gôndola).

Saiba que, em qualquer hotel, para sair e entrar no bloco de apartamentos, você terá que atravessar o cassino. Por isso, optamos pelo Palazzo, cujo cassino é pequeno e pouco movimentado. Menores de 21 anos não podem frequentar o cassino, nem ficar lá esperando os adultos, apenas passar por ele.

Portanto, se você quiser aproveitar tanto as atrações boas para crianças, quanto o cassino e os clubes noturnos, o ideal é viajar com outra família ou com outros adultos. Assim, vocês poderão revezar no cuidado das crianças. Mesmo assim, não recomendamos viajar para Las Vegas com crianças menores de 5, 6 anos. Não há nenhuma restrição contra crianças na maioria dos restaurantes e shows, mas o ambiente é mais voltado para adultos, portanto, em respeito aos outros frequentadores, o ideal é que a criança saiba se comportar, evitando gritaria, choro, etc.

As coisas que nossas crianças mais gostaram de fazer:

1. Assistir o Blue Man Group no Venetian: um show sensacional, que vai fisgar até os adultos, totalmente contagiante e muito adequado pra crianças maiores. Cuidados: compre o ingresso depois que chegar a Las Vegas. Esse show lota só em cima da hora, e às vezes tem uns descontos na bilheteria, especialmente para quem fica nos hotéis Palazzo e Venetian. Não recomendamos esse show para crianças pequenas, pois os homens azuis são um pouco assustadores, os sons são altos e o ambiente é escuro. Para as que não têm problema com isso, o show é o máximo, muito envolvente, instigante e divertido.

2. Adventuredome: junto ao Circus Circus fica esse parque de diversões indoor. Não é nenhuma Disney, nem tem brinquedos high tech ou nada extraordinário, mas é diversão garantida por pelo menos 2 horas para crianças de qualquer idade. Vá de manhã ao abrir, e você não vai pegar nenhuma fila, vai poder repetir os brinquedos quantas vezes quiser.

3. Shows do Cirque du Soleil: menos o Zumanity, é claro! Na verdade, o Cirque du Soleil foi o grande motivo pelo qual decidimos ir a Las Vegas. Os shows que estão em cartaz lá não são itinerantes, portanto a única oportunidade de vê-los é indo à cidade. O Ka é impressionante mas meio pesado pras crianças. O "O" é o melhor show que nossa família já assisitiu na vida. Tocante, artisticamente impecável, tecnicamente impressionante - poderíamos dizer que é um dos melhores shows em cartaz no mundo. Os outros ainda não assistimos, mas na primeira oportunidade já estamos planejando ver Mystère e Love. Ao contrário dos demais shows de LV, os do Cirque lotam muito antes da data. Além disso, a não ser que você seja um "high roller", apostadores que gastam muito, dificilmente encontrará uma promoção ou ingresso de graça para os shows do Cirque. Então, o mais indicado é inscrever-se no Cirque Club (http://www.cirqueclub.com/), e comprar o ingresso no próprio site do Cirque (http://www.cirquedusoleil.com/), antes da viagem. Os membros do Club têm acesso a algumas promoções especiais. Outro cuidado indispensável é chegar com antecedência ao local do show. De preferência, planeje jantar no hotel onde será o show; chegue com 2 horas de antecedência, retire o ingresso na bilheteria, jante, e em seguida dirija-se ao teatro. Os teatros têm capacidade para milhares de pessoas, então, se você deixar para retirar o ingresso nos últimos 30 ou 40 minutos antes do show, vai enfrentar um certo tumulto e uma fila enorme.


4. Canal Shoppes e o passeio de gôndola: é meio caro, mas se você conseguir um cupom de desconto, dói menos. Mas vale a pena, passear de gôndola dentro de um shopping que imita Veneza. E sem o cheirinho de Veneza! Enquanto está aqui, no Venetian, aproveite também pra ir ao museu de cera, com celebridades iguaizinhas às da vida real... As lojas do Canal Shoppes são bonitas, e a arquitetura caprichada do lugar dá um toque muito especial ao passeio. Visita obrigatória se suas crianças gostam de shopping.

5. Fontes do Belagio: são bem famosas, e se seus filhos assistiram Bolt vão reconhecer na hora! É um show realmente muito legal, pois as águas são totalmente sincronizadas com a música, e a força com que sobem impressionam até os cínicos. Se você acha que ver umas águas pulando não tem a menor graça, é porque nunca viu o show das fontes do Belagio. E o melhor de tudo: é de graça!

6. Forum Shops: fica junto ao hotel Caesar´s. É uma homenagem ao mundo kitsch, com ambientação da Roma antiga, com fontes, céu falso, colunas de mármore, enfim, tudo que tem direito. Alguns detalhes desse lugar impressionam bem as crianças; o mais curioso deles é uma escada rolante em espiral, que nunca tínhamos visto antes. O shopping é famoso por seus 2 shows de estátuas falantes, que envolvem água, fogo, música, e, bem, estátuas falantes. Não estamos brincando; vá conferir com seus próprios olhos! Próximo ao local de um dos shows, na extremidade mais distante do shopping, há um enorme aquário de água salgada, perfeito para as crianças que gostam de animais. Atrás do aquário fica o Cheescake Factory, uma das melhores redes americanas de restaurantes. A comida é deliciosa e os pratos, enormes! E para dar o toque final, no shopping há uma filial da famosa loja de brinquedos FAO. Na porta, um enorme cavalo de Troia recepciona os visitantes, e lá dentro há uma seleção de brinquedos pra ninguém botar defeito.

7. Siegfried & Roy Secret Garden: é uma espécie de minizoo chique, que fica no hotel Mirage. O lugar não é muito grande, o ingresso é meio caro, mas os animais que vivem lá são os mais bem tratados e bonitos que já vimos! Há espécies bem exóticas como tigre branco e leão branco, bem como um tanque com golfinhos e outros animais em exposição.

8. Show de comédia e mágica do Mac King: o lugar desse show quando fomos a LV era o hotel Harrah´s, um lugar antigo e meio decadente. Não se assuste com o ambiente. O show ocorre num pequeno teatro de stand-up comedy no segundo andar, e é hilariante. Pensávamos ir a um show de mágica como o David Copperfield, mas em todos os lugares que procurávamos, o Mac King aparecia como um dos melhores de LV. As mágicas que ele faz são simples, não têm nenhuma pirotecnia, mas são feitas com muita destreza e, o melhor de tudo, com muita graça e humor. Ele interage muito com toda a plateia, já que é um lugar bem pequeno, e no final até fica posicionado na saída para os autógrafos, fotos e tietagem. Lá também vendem um kit de mágica com instruções para as crianças, que é diversão certa por muitos e muitos dias. Procure os ingressos para esse show cerca de 1 mês antes da sua viagem, mas saiba de antemão que nem sempre Mac King está em LV.

Há outras atrações nos hotéis que também são de graça, apesar de não serem tão legais quanto as fontes do Belagio. Na verdade são bem kitsch, coisa que as crianças adoram! Mas, se é de graça, quem liga? Algumas delas: vulcão do Mirage, show das sereias do Treasure Island e habitat dos leões no MGM.

Por último, apesar de não termos ido, vale lembrar que há também montanhas-russas como a do hotel New York New York, que são pagas, mas costumam agradar bastante às crianças maiores.

Veja o mapa da região: